Tergiversações audiovisuais

Publicado: 20 janeiro, 2009 | Por: Fabio Flatschart | Em: criatividade, multimídia, música | Tags: , , , , , , | 1 comentrio »

Considero a música, pela sua essência, impotente para exprimir o que quer que seja: um sentimento, uma atitude, um estado psicológico, um fenómeno da natureza, etc. A expressão não foi nunca a propriedade imanente da música. A razão de ser desta não é de forma alguma condicionada por aquela. Se, como é quase sempre o caso, a música parece exprimir qualquer coisa, trata-se apenas de uma ilusão e não de uma realidade. É simplesmente um elemento adicional que, por uma convenção tácita e inveterada, lhe atribuímos, imposto como uma etiqueta, um protocolo, enfim, uma aparência, e que, por hábito ou inconsciência, chegamos a confundir com a sua essência  - Igor Stravisnky

O conceito de música defendido por Stravisnky é polêmico, derruba milhares de anos de associações, místicas, matemáticas, literárias e plásticas que a humanidade tem feito para justificar a atribuição de sigificados extra-musicais às experiências da audição musical.

Tenho visto já faz algum tempo em festas de casamento ou em aniversários a presença de um DJ ou animador que toca uma seleção musical enquanto são projetados vídeo clipes sem nenhuma relação com o repertório sonoro que é executado…para a maioria da pessoas passa desapercebido assistir um trecho ( sem áudio ) de um show do Queen no telão enquanto escuta Titãs ou Bruno & Marrone ! 

A relação imagem e música é fruto de séculos da evolução de sinapes cerebrais construídas a partir do referencial estético e social de cada cultura.

Hoje, com a massificação e a globalização do repertório audio visual, certos ‘cliches’ são senso comum, como por exemplo na famosa cena do banheiro de Psicose (  Psycho de A. Hitchcock )   onde a repetição de acordes na região aguda dos violinos praticamente virou sinônimo de assasinato.

A estreita relação entre som e imagem, foi muito explorada pelo cinema de animação em uma técnica que ficou conhecida como “Mickeymousing” na qual o som parecia perseguir e enfatizar cada movimento da tela.

Em “A Dança do Esqueleto” ( Disney Silly Symphony – The Skeleton Dance ) de 1929, um clássico exemplo da técnica do “Mickeymousing”. Fantástico !

Em outros casos a música já existia, e o diretor aproveitou-se dela para construir a cena, como na sequência em que os macacos descobrem o uso da arma para subjugar seus adversários ( uma elipse de tempo sensacional ! )  em “2001 uma Odisséia no Espaço”, filme sobre o qual já falei aqui.

Jerry Lewis soube muito bem como utilizar-se do universo musical para construção da imagem e do siginificado. Parece que a música foi escrita para a cena,  quando na verdade ela já existia : Blues in Hoss’ Flat de Count Basie. Imperdível a pantomima de Lewis em “O Mocinho Encreiqueiro” - The Errand Boy (1961)

Também muito interessante a experimentação de Michel Gondry para a música “Star Guitar” dos “Chemical Brothers” de 2002. Os vídeo clipes e os vídeo games são hoje o terreno fértil para as modernas experimentações do contraponto entre o som e a imagem

Se você se interessou pelo assunto, algumas dicas de leitura :

 


ferramentas digitais

Publicado: 11 maio, 2006 | Por: Fabio Flatschart | Em: criatividade, multimídia | Tags: , , , | Nenhum comentrio »

De acordo com a Wikipedia o termo ferramenta deriva do latim ferramenta, plural de ferramentum. É um utensílio, ou dispositivo, ou mecanismo físico ou intelectual utilizado por trabalhadores das mais diversas áreas. Inicialmente o termo era utilizado para designar objetos para uso doméstico ou industrial, este era constituído de ferro ou outro material com vistas a realizar algum trabalho ou executar alguma função. Em função do disposto acima, uma ferramenta pode ser definida como: um dispositivo que forneça uma vantagem mecânica ou mental para facilitar a realização de tarefas diversas

 As ferramentas acompanham a humanidade há milênios, primeiro como extensão do próprio corpo; depois como utensílios e dispositivos de aprimoramento ou otimização de tarefas. Elas já foram manuais, mecânicas e eletrônicas. Hoje muitas delas são digitais.

Desde as cavernas de Lascaux ( França, aprox.17.000 A.C ), passando pelas pirâmides do Egito, pela prensa de Gutemberg até os “pixels & bitmaps” dos computadores atuais as ferramentas cumprem Continue lendo… »


making of

Publicado: 30 abril, 2006 | Por: Fabio Flatschart | Em: criatividade | Tags: , | 1 comentrio »

A mudança do processo de criação nos meios de comunicação do sistema analógico para o sistema digital gerou um subproduto fantástico : o making of ( não que antes ele não existisse, mas agora ele é praticamente parte integrante do conteúdo final).

No cinema, na televisão, na música, no vídeo, na publicidade, muitas vezes nos fascina mais o mundo dos bastidores, das tentativas, dos erros, dos produtores, do que a peça finalizada em si. Todo material não utilizado no produto final, que antes era difícil de ser preservado e documentado agora graças a digitalização pode ser facilmente organizado e distribuído.

Um dos meus favoritos é o making of do filme de animação ” Monstros S.A.”  de 2001 da Walt Disney Productions / Pixar Animation Studios. Uma dica interessante é compará-lo com o making of de “Branca de Neve” também dos estúdios Disney mas de 1937 !. Incrível como certas coisas Continue lendo… »