Impossível não estabelecer deliciosas comparações de direção de arte, trilha sonora e efeitos de tipografia:
1
Filme de abertura do jogo Metal Gear Solid 3 ( 2004 ) . A canção “Snake Eater” é de Norihiko Hibino que fez a trilha sonora em parceria com Harry Gregson-Williams ( Narnia, Shrek, Fuga das Galinhas, Formiguinhaz e outros)
2
Abertura do filme From Russia With Love ( 1963 ) , em português Moscou contra 007 , com a fantástica canção tema de John Barry
Como eu já havia escrito aqui : referência é tudo !
A tênue fronteira que ainda existe entre o mundo análogico e o digital permite a criação de produtos e suportes híbridos que distribuem e compartilham conteúdo de maneira inusitada e peculiar.
Novos suportes e antigas mídias buscam espaço em um mundo de rápidas tranformações no qual não sabemos ainda qual a real viabilidade técnica, estética e comercial de cada um deles.
A partir de hoje (01/02), graças a distribuidora MovieMobz, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília e Curitiba poderão assistir as óperas do “Metropolitan Opera” de Nova Iorque ( EUA ) com imagem em alta definição e som 5.1 nas salas de cinema !
A ópera que abre a temporada é La Rondine, uma das obras menos conhecidas de Rossini e que teve sua estréia em 17 de março de 1917 em Monte Carlo ( Mônaco ).
Em setembro de 1917, La Rondine já era produzida no Teatro Municipal do Rio de Janeiro com o mesmo elenco da estréia ! Oito meses depois, fantástico para a época !
A junção do texto com a música, a organização dos instrumentos musicais por famílias, a cenografia e a roteirização de tudo isto em um único documento ( a partitura ) fazem da Ópera ( que já foi a forma dramático-musical mais popular da cultura ocidental ) um ancestral primitivo da multimídia moderna. (Leia o que eu escrevi sobre os 400 anos desta linguagem aqui)
Considero a música, pela sua essência, impotente para exprimir o que quer que seja: um sentimento, uma atitude, um estado psicológico, um fenómeno da natureza, etc. A expressão não foi nunca a propriedade imanente da música. A razão de ser desta não é de forma alguma condicionada por aquela. Se, como é quase sempre o caso, a música parece exprimir qualquer coisa, trata-se apenas de uma ilusão e não de uma realidade. É simplesmente um elemento adicional que, por uma convenção tácita e inveterada, lhe atribuímos, imposto como uma etiqueta, um protocolo, enfim, uma aparência, e que, por hábito ou inconsciência, chegamos a confundir com a sua essência - Igor Stravisnky
O conceito de música defendido por Stravisnky é polêmico, derruba milhares de anos de associações, místicas, matemáticas, literárias e plásticas que a humanidade tem feito para justificar a atribuição de sigificados extra-musicais às experiências da audição musical.
Tenho visto já faz algum tempo em festas de casamento ou em aniversários a presença de um DJ ou animador que toca uma seleção musical enquanto são projetados vídeo clipes sem nenhuma relação com o repertório sonoro que é executado…para a maioria da pessoas passa desapercebido assistir um trecho ( sem áudio ) de um show do Queen no telão enquanto escuta Titãs ou Bruno & Marrone !
A relação imagem e música é fruto de séculos da evolução de sinapes cerebrais construídas a partir do referencial estético e social de cada cultura.
Hoje, com a massificação e a globalização do repertório audio visual, certos ‘cliches’ são senso comum, como por exemplo na famosa cena do banheiro de Psicose ( Psycho de A. Hitchcock ) onde a repetição de acordes na região aguda dos violinos praticamente virou sinônimo de assasinato.
A estreita relação entre som e imagem, foi muito explorada pelo cinema de animação em uma técnica que ficou conhecida como “Mickeymousing” na qual o som parecia perseguir e enfatizar cada movimento da tela.
Em “A Dança do Esqueleto” ( Disney Silly Symphony – The Skeleton Dance ) de 1929, um clássico exemplo da técnica do “Mickeymousing”. Fantástico !
Em outros casos a música já existia, e o diretor aproveitou-se dela para construir a cena, como na sequência em que os macacos descobrem o uso da arma para subjugar seus adversários ( uma elipse de tempo sensacional ! ) em “2001 uma Odisséia no Espaço”, filme sobre o qual já falei aqui.
Jerry Lewis soube muito bem como utilizar-se do universo musical para construção da imagem e do siginificado. Parece que a música foi escrita para a cena, quando na verdade ela já existia : Blues in Hoss’ Flat de Count Basie. Imperdível a pantomima de Lewis em “O Mocinho Encreiqueiro” - The Errand Boy (1961)
Também muito interessante a experimentação de Michel Gondry para a música “Star Guitar” dos “Chemical Brothers” de 2002. Os vídeo clipes e os vídeo games são hoje o terreno fértil para as modernas experimentações do contraponto entre o som e a imagem
Se você se interessou pelo assunto, algumas dicas de leitura :
Faleceu hoje Arthur C. Clarke, escritor e cientista que também era Sir aos 90 anos de idade em Colombo no Sri Lanka ( antigamente conhecido como Ceilão esta pequena ilha proxima da Índia já foi colônia portuguesa ) país onde vivia quase que refugiado há mais de cinco décadas.
Clarke junto com Stanley Kubrick criou “2001: Uma Odisséia no Espaço”, um filme visionário em sua época (1968). 2001 foi baseado nas obras de Arthur C. Clarke The Sentinel e 2001: A Space Odyssey, esta última escrita durante as filmagens.
A trilha sonora de 2001, produzida com obras de grandes compositores clássicos tem seu clímax logo no começo do filme na antológica cena onde os antepassados da humanidade descobrem, em um osso, uma ferramenta bélica ao som de “Assim Falava Zaratustra”, poema sinfônico de Richard Strauss, inspirado na obra do filosófo alemão Friedrich Nietzsche.
A relação dos homens com as máquinas ou a atribuição de valores humanos à elas não é um assunto novo na indústria cinematográfica. Em Metropolis ( 1927 ) do diretor austríaco Fritz Lang um inventor a serviço da elite dominante cria um robô infalível à imagem do homem e afirma de que em breve ninguém conseguirá diferenciá-lo de um ser vivo.
Wall-e é o novo filme de animação da Pixar onde em um futuro pós-apocalíptico, os humanos destruiram a terra e não existem mais. Os protagonistas são os Wall-E, robôs desenhados para limpar o lixo deixado na superfície da Terra. Essas máquinas, no entanto, não deram conta da tarefa e começaram a pifar lentamente, até que apenas um robô restou. É ele o protagonista, Wall•E. O nome é na verdade a sigla para Waste Allocation Load Lifters – Earth (“Levantadores de Cargas Desnecessárias da Terra”). Todos os dias, ele executa sua rotina de catar o lixo que encontra pela frente a fim de cumprir a (impossível) tarefa de juntar todo o lixo que existe no planeta. A única ajuda que ele recebe é a de Spot, sua barata de estimação. ( extraído de http://www.cinepop.com.br )