Os slides apresentados com as dicas e referências para os tutoriais oficiais da Adobe que forma comentados na apresentação, estão publicados no Slideshare e são exibidos abaixo :-)
Se você tiver filhos ou crianças por perto provavelmente conheça o Peixonauta, o programa de maior audiência do canal Discovery Kids. Apresentado em mais de 50 países e em 5 idiomas ( português, inglês, espanhol, turco e árabe ) o Peixonauta é uma produção brasileira da TV Pinguim.
Criada para as crianças de 4 a 7 anos, Peixonauta conta as aventuras de um peixe que, com a ajuda de um escafandro cheio d’água (o Bublex), vive entre o “mundo molhado” e o “mundo seco”, revelando mistérios e buscando soluções para proteger o meio ambiente. Explora de maneira única e divertida os vários mistérios do mundo, sejam eles aquáticos ou terrestres! O telespectador é convidado a se levantar e repetir a sequência rítmica de palmas e pés para abrir a POP e descobrir as pistas secretas de cada episódio. ( Extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Peixonauta )
Cada episódio de 11 minutos é produzido no Flash : storyboard, animatic, pintura, cenários e animação, e no After Effectts : tratamento independente para cenários / personagens, trilha e diálogos .
Tive a oportunidade de conhecer de perto o processo de produção do Peixonauta, antes do lançamento, graças a alunos meus que estagiavam na TV Pinguim. Vejam abaixo alguns estudos da fase de pré-produção da série :
Estudos de animação de personagem ( Marina e Peixonauta )
Considero a música, pela sua essência, impotente para exprimir o que quer que seja: um sentimento, uma atitude, um estado psicológico, um fenómeno da natureza, etc. A expressão não foi nunca a propriedade imanente da música. A razão de ser desta não é de forma alguma condicionada por aquela. Se, como é quase sempre o caso, a música parece exprimir qualquer coisa, trata-se apenas de uma ilusão e não de uma realidade. É simplesmente um elemento adicional que, por uma convenção tácita e inveterada, lhe atribuímos, imposto como uma etiqueta, um protocolo, enfim, uma aparência, e que, por hábito ou inconsciência, chegamos a confundir com a sua essência - Igor Stravisnky
O conceito de música defendido por Stravisnky é polêmico, derruba milhares de anos de associações, místicas, matemáticas, literárias e plásticas que a humanidade tem feito para justificar a atribuição de sigificados extra-musicais às experiências da audição musical.
Tenho visto já faz algum tempo em festas de casamento ou em aniversários a presença de um DJ ou animador que toca uma seleção musical enquanto são projetados vídeo clipes sem nenhuma relação com o repertório sonoro que é executado…para a maioria da pessoas passa desapercebido assistir um trecho ( sem áudio ) de um show do Queen no telão enquanto escuta Titãs ou Bruno & Marrone !
A relação imagem e música é fruto de séculos da evolução de sinapes cerebrais construídas a partir do referencial estético e social de cada cultura.
Hoje, com a massificação e a globalização do repertório audio visual, certos ‘cliches’ são senso comum, como por exemplo na famosa cena do banheiro de Psicose ( Psycho de A. Hitchcock ) onde a repetição de acordes na região aguda dos violinos praticamente virou sinônimo de assasinato.
A estreita relação entre som e imagem, foi muito explorada pelo cinema de animação em uma técnica que ficou conhecida como “Mickeymousing” na qual o som parecia perseguir e enfatizar cada movimento da tela.
Em “A Dança do Esqueleto” ( Disney Silly Symphony – The Skeleton Dance ) de 1929, um clássico exemplo da técnica do “Mickeymousing”. Fantástico !
Em outros casos a música já existia, e o diretor aproveitou-se dela para construir a cena, como na sequência em que os macacos descobrem o uso da arma para subjugar seus adversários ( uma elipse de tempo sensacional ! ) em “2001 uma Odisséia no Espaço”, filme sobre o qual já falei aqui.
Jerry Lewis soube muito bem como utilizar-se do universo musical para construção da imagem e do siginificado. Parece que a música foi escrita para a cena, quando na verdade ela já existia : Blues in Hoss’ Flat de Count Basie. Imperdível a pantomima de Lewis em “O Mocinho Encreiqueiro” - The Errand Boy (1961)
Também muito interessante a experimentação de Michel Gondry para a música “Star Guitar” dos “Chemical Brothers” de 2002. Os vídeo clipes e os vídeo games são hoje o terreno fértil para as modernas experimentações do contraponto entre o som e a imagem
Se você se interessou pelo assunto, algumas dicas de leitura :
A partir de abril de 2008 o curso Flash CS3 : Animação para WEB do SENAC-SP adota como material didático a apostila da qual tive aportunidade de ser o autor. É um material simples e didático voltado para quem deseja dar os primeiros passos no mundo da animação para a web.
Em um aula do curso de design gráfico na FMU estávamos conversando com os alunos sobre questões específicas das mídias digitais : fluidez, adimensionalidade…e outras coisas mais que dariam um bom texto aqui para o “Quadro dos bemóis”. Para exemplificar alguns destes conceito analisamos o site da agência Leo Burnett e o site Havaianas, produto que dispensa apresentações !
Ficamos algum tempo no site das Havaianas discutindo as questões de navegabilidade e usabilidade quando também mencionei os elementos visuais inspiradas no psicodelismo. Esta palavra causou “estranheza” em alguns alunos e começamos um pequeno debate sobre o assunto…
O psicodelismo influenciou uma geração inteira de artistas do final dos anos 60, que utilizavam como referência de criação as sensações causadas pelo uso de drogas, notadamente o LSD.
Os efeitos principais documentados nas experiências psicodélicas são :
* Aumento das capacidades sensitivas (principalmente visuais), tornando as cores mais “brilhantes”
* Cores realçadas, ligeiras alucinações visuais (ex. objetos se movimentam ), desenhos parecem adquirir terceira dimensão*
Há alguma confusão entre os sentidos (ex. o indivíduo começa a “ver os sons como cores”).
Existem outros meios como a meditação ou yoga para alcançar estados semelhantes de experimentação sensorial.
Escritores, músicos, designers , artistas plásticos, muitos “viajaram” neste mundo de cores e sons…vamos ver alguns exemplos : The Beatles – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967) Criada pelos artistas pop Peter Blake Jann Haworth, a capa deste disco famosíssimo dos Beatles, lançado pela Parlophone, é uma das mais conhecidas do mundo. Mistura personagens da cultura pop dos EUA e Inglaterra,
Bee Gees – Bee Gees’1st. (1967) Criada por Klaus Voorman. Várias caracteríticas psicodélicos estão presentes na capa de ste dico. Mistura surrealismo, contraste de cores por saturação e tipografia distorcida em curvas.
Outro exemplo da influência do psicodelismo na criação artística é a linguagem audiovisual como neste programa infantil de televisão “The Banana Splits & Friends Show” lançado na tv americana em 1968 e que misturava sons e imagens em um ambiente de fantasia psicodélica ( A Bandeirantes exibia este programa nos anos 70 aqui no Brasil ). Veja a abertura do programa abaixo :
Quando eu tinha uns 10 anos ( e nem imaginava o que significava psicodélico ) inocentemente assitia à este desenho : A jovem e bela princesa Aurora e seu amigo Terry viajam em um veículo, que é um carro-balão, acompanhados por uma estranha criatura que parece um cruzamento de anta com cachorro em busca da “Chave de Cristal” que está escondida na Gruta das Orquídeas Assoviadeiras” cujo poder mágico poderá livrar o reino da princesa de uma terrível maldição.
Durante sua aventuras passam por lugares conhecidos por como : Cidade das Portas, Cidade das Ervilhas, Cidade da Neve, Cidade dos Relógios, Cidade dos Sapatos. Praticamente uma viagem ao País das Maravilhas de Lewis Carrol. Não sendo tudo isto suficientemente absurdo, eles são perseguidos pelo malvado feiticeiro Rabugento e seu terrível porém alérgico dragão.
Rabugento ( Here Comes the Grump/1969 ) era o psicodélico desenho animado dos estúdios Depatie-Freleng, que também eram responsáveis por outras criações dos anos 60 e 70 : A Cobrinha Azul (The Blue Racer/1972), Missão Quase Impossível (The Houndcats/1972), Toro e Pancho (Tijuana Toads/1969) e O Xerife Hoot-Kloot (Hoot-Kloot/1973). Porém seus maiores sucessos foram A Pantera Cor-de-Rosa (The Pink Panther/1964) e O Inspetor (The Inspector/1965).
Ouça a vinheta de abertura do desenho :
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