O passado e o futuro do vídeo na web

John Logie Baird em 1925

John Logie Baird em 1925

Fruto evolutivo da fantástica histórica da fotografia e da fotografia em movimento (popularmente conhecida como cinema), o vídeo trouxe os processos de veiculação de imagem à um novo patamar. Sua gênese, um pouco diferente da fotografia, foi marcada desde o início como um experimento tecnológico de laboratório envolvendo centros de pesquisas e grandes investimentos corporativos.

Está aí um dos motivos pelos quais até hoje a indústria do vídeo notadamente com o advento do HTML5 e da Open Web Platform, atravessa uma disputa sobre formatos e codecs a serem empregados. Google, Apple, Microsoft, Adobe e Sony estão entre os principais protagonistas desta contenda.

John Baird : Um pioneiro (quase) esquecido

A história do vídeo se confunde com a história dos primórdios da televisão onde a figura do engenheiro escocês John Logie Baird (1888 – 1946) é o destaque. Baird criou em 1926 um processo de gravação em discos de vídeo chamado por ele de “Phonovision”.

A patente 324.049, concedida em 1928, descrevia um dispositivo, o “Phonovisor”, projetado para reproduzir discos do formato ”Phonovision”. O escocês conseguiu gravar imagens em disco, mas nunca consegui reproduzi-los, porque as imagens em 30 linhas praticamente se perdia quando era ainda pior do que eram transmitidas. O eterno fantasma da resolução…

Como curiosidade vale ressaltar de que com as tecnologias de processamento digital, Donald McLean, um entusiasta e divulgador da obra de Baird recuperou o conteúdo dos discos “Phonovision” com resolução de 30 linhas de discos e disponibilizou-os em seu site http://www.tvdawn.com no formato de GIFs animados [sic] : Paramount Astoria Girls – Gravado em 21 de abril de 1933.

O recente culto aos GIFs animados decorrente, em parte por causa da necessidade de veicular imagens em movimento em dispositivos que não suportam os plugins para o formato SWF ( Flash) e em parte por um movimento Retro / Cult / Vintage de resgatar imagens de baixa resolução e filtros fotográficos, nos faz analisar o quão cíclica pode ser a adoção e obsolescência das tecnologias.

Afinal, o brega de hoje é o cult de amanhã 🙂

O primeiro videodisco

Em 1934 Baird lança o primeiro videodisco funcional, com  10 polegadas e dupla face, era um disco de teste que girava  a 78 rpm com imagens animadas, foi criado para auxiliar os usuários domésticas ajustarem seus televisores sincronizando som e imagem como maneira de “esquentar” o receptor antes da transmissões de TV entrarem no ar !

Outras onze gravações em disco de transmissões de televisão foram produzidas. Teríamos que esperar mais 20 anos antes que novos programas de televisão fossem registrados em discos ou fitas…

Até 2016…

Hoje temos uma infinidade de tecnologias e formatos digitais para armazenamento e distribuição de vídeo digital, mas  provavelmente o Blu-Ray será o último formato físico para este fim. O futuro está na nuvem e na Open Web Platform.

Dados da Cisco estimam que 54 %do tráfego on-line em 2016 será de arquivos de vídeo, e se contarmos conexões P2P este número deve subir para 86 % . Os tablets são apenas a porta de entrada para o consumo de vídeo, com a era da “Internet das Coisas”, browsers estarão onipresentes e reproduzindo um tráfego anual de 1.3 zetabites (21 zeros) e o equivalente a quatro bilhões de DVDs por mês em serviços de video-on-demand. Números difíceis de conceber…

Vídeo e HTML5

Quem tem mais anos de web, certamente se lembrará do Real Player, do Quick Time Player e do Windows Media Player como plugins para a exibição de vídeo (e também áudio) na web. Quem é das gerações mais novas acompanhou de perto a consagração do Flash Player como reprodutor de vídeos no formato .flv, hoje padrão do aplicativo campeão de compartilhamento de vídeos do Google, o Youtube.

No HTML5, o elemento video do permite a inclusão e reprodução de conteúdo de vídeo sem a necessidade dos plugins acima citados. Da mesma maneira que acontece com o elemento audio, o próprio browser se encarrega da exibição do conteúdo.

A compatiblidade dos browsers ainda é problemática, mas existem várias maneiras de contornar esta questão como, por exemplo, usar formatos alternativos (da mesma maneira que no caso do áudio), indicar um link para download e ou ainda oferecer a possibilidade de uso do Flash Player para a reprodução do vídeo.

A história está (sempre) apenas começando…

Referências

 

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