Música pasteurizada e homogeneizada

É plástico ? E papel ? Não, é cheddar !

É plástico ? É papel ? Não ! É Cheddar…

A pasteurização é uma técnica criado pelo cientista e químico francês Louis Pasteur por volta de 1864 para eliminar microrganismos presentes nos alimentos. O processo consiste em aquecer os alimentos até uma certa temperatura, geralmente entre 60 e 75 graus. o tempo suficiente para que microrganismos que pudessem causar a deterioração dos alimentos possam ser eliminados. Acreditem, essas coisas a gente aprendia na escola, nos anos 70 e 80…

Para que este procedimento tenha êxito, também é necessário que esta alimento seja acondicionado rapidamente em uma embalagem esterilizada e hermética. A indústria do leite e dos seus derivados foi a primeira a se beneficiar desta grande conquista. Outra que se beneficiou desta conquista foi a Dona Regina…

Estamos em 1950, Dona Regina viúva com nove filhos ( alguns bem pequenos ) morava em uma pequena rua esburacada entre o bairro da Moóca e  os caminhos que iam para São Caetano, a Rua 20. Fazer e vender queijo era a  maneira que ela tinha para ajudar no sustento da família. Dona Regina misturava e derretia sobras de grande laticínios, fundindo seu próprio queijo em um processo conhecido como homogeneização. O resultado era algo entre um polenguinho e o cheddar do Mc Donalds…. Se non è vero, è ben trovato 🙂

A pasteurização e a homogeneização são dois dos muitos processos que permitem que alimentos in natura sejam transformados em pacotinhos industrializados.

Quanto de frango existe em um nugget de fast-food ? Quanto de laranja existe em um suco de caixinha ? E as salsichas e linguiças  ? Como já dizia o marechal alemão Otto Von Bismarck (1815-1898) :

Leis são como salsichas; é melhor não saber como são feitas !

A cultura de massa do século XXI nasce sob este estigma, da cultura do mashup, do verniz do politicamente correto, do culto ao compartilhamento e dos algoritmos criativos da indústria da comunicação que produzem literatura, música, cinema e jornalismo pasteurizado e homogeneizado.

Na música este fenômeno é gritante !  Mega “divas & divos” da cultura pop são fabricados e homogeneizados para que sejam facilmente consumidos e degustados, o que hoje chamamos de música é um enorme guarda chuva cultural que abriga o mundo fashion, altas doses de testosterona / progesterona e o universo reality show.

Dois bons exemplos ?

  • The Voice Brasil é o Calouros do Raul Gil  pasteurizado e homogeneizado !
  • Andre Rieu é a música clássica  pasteurizada e homogeneizada !

O próprio Rock, que um dia já foi a força disruptiva de uma geração, quebrando valores políticos, sociais, sexuais, estéticos e morais hoje (com raríssimas exceções) atende ao status quo, vendendo carinhas bonitas em embalagens pasteurizadas de som e imagem para suprir as necessidades de consumo descartável do nowismo da sociedade contemporânea – http://quadrodosbemois.com.br/tecnologias-disruptivas-a-sagracao-da-primavera-e-o-rock/

  • Frango de padaria sim, Nuggets não !
  • Cafezinho sim, Starbucks não !
  • Circo Orlando Orfei sim, Cirque du Soleil não !
  • Queijo Minas sim, Cheddar não !
  • Pena Branca e Xavantinho sim, Luan Santana não !