bons ventos

Publicado: 20 dezembro, 2006 | Por: Fabio Flatschart | Em: multimídia, música | Tags: , | Nenhum comentário »

Convivendo esta semana com temperaturas na casa dos 32 graus percebi porque o ar condicionado é uma das maiores invenções do século XX, depois das fraldas descartáveis e do controle remoto…

Em outras épocas porém, a brisa da mãe natureza era a única saída para o alívio nesta época do ano…

Antonio Vivaldi (1675- 1741), compositor italiano publicou em 1725 um série de oito concertos chamados “Il Cimento dell’Armonia e dell’Invenzione” (O Contraste entre a Harmonia e Invenção). Entre estes oito concertos encontram-se “As quatro estações” nas quais Vivaldi cria uma paisagem sonora para cada estação do ano apoiando-se em sonetos (provavelmente) de sua autoria.

No concerto e no soneto do verão, Vivaldi descreve os efeitos de Zéfiro e do Boreal nomes poéticos dados aos ventos que sopravam por aquelas bandas em 1700…

Abaixo o soneto do verão no original em italiano e em tradução livre para o português

L’estate

Sotto dura Staggion dal Sole accesa
Langue L’huom, langue ‘l gregge, ed arde il Pino;
Scioglie il Cucco la Voce, e tosto intesa
Canta la Tortorella e’l gardelino.

Zeffiro dolce Spira, ma contesa
Muove Borea improviso al Suo vicino;
E piange il Pastorel, perche Sospesa
Teme fiera borasca, e’l Suo destino;

Toglie alle membra lasse il Suo riposo
Il timore de’Lampi, e tuoni fieri
E de mosche, e mossoni il Stuol furioso!

Ah che pur troppo I Suoi timor Son veri
Tuona e fulmina il ciel e grandinoso
Tronca il capo alle Spiche e a’grani alteri.

O Verão

Sob a dura estação, pelo Sol incendiada,
Languidos homem e rebanho, arde o Pino;
Liberta o cuco a voz firme e intensa,
Canta a corruíra e o pintassilgo.

O Zéfiro doce expira, mas uma disputa
é improvisada por Boreal com seus vizinhos;
E lamenta o pastor, porque suspeita,
Teme feroz borrasca: é seu destino enfrentá-la

Toma dos membros lassos o repouso
O temor dos relâmpagos e os feros trovões
E de repente inicia-se o tumulto furioso!

Ah! No mais o seu temor foi verdadeiro:
Troa e fulmina o céu, é grandioso [o vendaval]
Ora quebra as espigas, ora desperdiça os grãos [de trigo].

Enquanto aguardamos os bons ventos de 2007, podemos nos refrescar do verão paulistano com a força da tempestade de verão de Antonio Vivaldi despejada aqui poderosamente pelo maluco do Nigel Kennedy e com ajuda do Youtube, nosso quarto colocado depois da fralda descartável, do controlo remoto e do ar condicionado…