Arquivos de Setembro, 2006

* Gruta das orquídeas assoviadeiras

Publicado em 22 Setembro, 2006 por Fábio Flatschart. Arquivado em criação, multimídia, música.


Em um aula do curso de design gráfico na FMU estávamos conversando com os alunos sobre questões específicas das mídias digitais : fluidez, adimensionalidade…e outras coisas mais que dariam um bom texto aqui para o “Quadro dos bemóis”. Para exemplificar alguns destes conceito analisamos o site da agência Leo Burnett e o site Havaianas, produto que dispensa apresentações !

Ficamos algum tempo no site das Havaianas discutindo as questões de navegabilidade e usabilidade quando também mencionei os elementos visuais inspiradas no psicodelismo. Esta palavra causou “estranheza” em alguns alunos e começamos um pequeno debate sobre o assunto…

havaianasO psicodelismo influenciou uma geração inteira de artistas do final dos anos 60, que utilizavam como referência de criação as sensações causadas pelo uso de drogas, notadamente o LSD.
Os efeitos principais documentados nas experiências psicodélicas são :

* Aumento das capacidades sensitivas (principalmente visuais), tornando as cores mais “brilhantes”
* Cores realçadas, ligeiras alucinações visuais (ex. objetos se movimentam ), desenhos parecem adquirir terceira dimensão*
Há alguma confusão entre os sentidos (ex. o indivíduo começa a “ver os sons como cores”).
Existem outros meios como a meditação ou yoga para alcançar estados semelhantes de experimentação sensorial.

havaianasEscritores, músicos, designers , artistas plásticos, muitos “viajaram” neste mundo de cores e sons…vamos ver alguns exemplos :
beatlesThe Beatles - Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967) Criada pelos artistas pop Peter Blake Jann Haworth, a capa deste disco famosíssimo dos Beatles, lançado pela Parlophone, é uma das mais conhecidas do mundo. Mistura personagens da cultura pop dos EUA e Inglaterra,

beeggesBee Gees – Bee Gees’1st. (1967) Criada por Klaus Voorman. Várias caracteríticas psicodélicos estão presentes na capa de ste dico. Mistura surrealismo, contraste de cores por saturação e tipografia distorcida em curvas.

Outro exemplo da influência do psicodelismo na criação artística é a linguagem audiovisual como neste programa infantil de televisão “The Banana Splits & Friends Show” lançado na tv americana em 1968 e que misturava sons e imagens em um ambiente de fantasia psicodélica ( A Bandeirantes exibia este programa nos anos 70 aqui no Brasil ). Veja a abertura do programa abaixo :

Quando eu tinha uns 10 anos ( e nem imaginava o que significava psicodélico ) inocentemente assitia à este desenho : A jovem e bela princesa Aurora e seu amigo Terry viajam em um veículo, que é um carro-balão, acompanhados por uma estranha criatura que parece um cruzamento de anta com cachorro em busca da “Chave de Cristal” que está escondida na Gruta das Orquídeas Assoviadeiras” cujo poder mágico poderá livrar o reino da princesa de uma terrível maldição.

grumpDurante sua aventuras passam por lugares conhecidos por como : Cidade das Portas, Cidade das Ervilhas, Cidade da Neve, Cidade dos Relógios, Cidade dos Sapatos. Praticamente uma viagem ao País das Maravilhas de Lewis Carrol. Não sendo tudo isto suficientemente absurdo, eles são perseguidos pelo malvado feiticeiro Rabugento e seu terrível porém alérgico dragão.

grump Rabugento ( Here Comes the Grump/1969 ) era o psicodélico desenho animado dos estúdios Depatie-Freleng, que também eram responsáveis por outras criações dos anos 60 e 70 : A Cobrinha Azul (The Blue Racer/1972), Missão Quase Impossível (The Houndcats/1972), Toro e Pancho (Tijuana Toads/1969) e O Xerife Hoot-Kloot (Hoot-Kloot/1973). Porém seus maiores sucessos foram A Pantera Cor-de-Rosa (The Pink Panther/1964) e O Inspetor (The Inspector/1965).

Ouça a vinheta de abertura do desenho :

O Rabugento…este era psicodélico !!!

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* Um austríaco em Hollywood…

Publicado em 14 Setembro, 2006 por Fábio Flatschart. Arquivado em música.


Viena no começo do século XX disputava com Paris e Berlim o título de capital cultural da Europa ( leia-se do mundo ). Gustav Mahler era a estrela da Filamônica de Viena , Klimt ( também Gustav ) pinta “O Beijo” , Sigmund Freud tinha acabado de” inventar - sic !” a psicanálise. Sem contar Fritz Lang , Richard Strauss, Arnold Schönberg

Este era o ambiente aonde o pequeno Erich cresceu, filho de uma importante e aristocrática família austríaca Erich Wolfgang Korngold foi uma crinça prodígio que em sua época chegou a ser comparado à seu conterrâneo Mozart. Korngold aos 11 anos escreve sua primeira sinfonia e a partir daí desenvolve uma brilhante carreira escrevendo óperas, operetas, música de câmara e grandes peças orquestrais.

Agora imaginem a seguinte cena : Em 1935 Erich Korngold desembarca na Califórnia com sua pastinha de músicas em baixo do braço, em busca de emprego e procura então as grandes instituições culturais, os teatros, as casas de ópera, as universidades…ou seja, tudo que lhe era muito familiar em sua terra natal !

Robin HoodDepois de muito procurar e obviamente frustrar-se por não conseguir achar algo parecido com Viena em Hollywwod alguém lhe diz : Sorry Mr. Korngold…esta história de sinfonia, quarteto de cordas é muito bonita mas aqui a gente tem uma coisa chamada cinema…o senhor já escreveu música para cinema ?

Na verdade esta cena só não aconteceu por que Max Steiner, que trabalhava na Warner Bros, trouxe Korngold aos EUA… para um músico judeu em plena ascensão do regime nazista não poderia existir convite melhor ! Max Steiner, também austríaco, havia chegado aos Estados Unidos em 1914. No ano de 1933 Steiner compôs a trilha para King Kong.

Na Warner, a dupla Steiner/ Korngold foi responsável por A Carga da Brigada Ligeira ( Steiner, 1936 ), As Aventuras de Robin Hood ( Korngold, 1938 ), Vitória Amarga ( Steiner, 1939 ), O Gavião do Mar ( Korngold, 1940 ), A Estranha Passageira ( Steiner, 1942 ) e Em Cada Coração um Pecado ( Korngold, 1942 ). No entanto Steiner compôes sua melhor trilha ( Oscar em 1939 ) para “E o vento levou” do estúdios concorrente : a MGM.

Korngold trouxe para o cinema os metais vibrantes de Mahler, o “leitmotiv” Wagneriano e de quebra 400 anos de tradição da música erudita européia, introduzindo um modo de pensar a trilha sonora logo imitado por outros compositores. Atualmente podemos dizer que John Williams é o seu herdeiro musical mais importante.

Muito antes de Arnold Schwarzenegger , os austríacos já faziam sucesso na Califórnia !

Leia minha análise do filme “As aventuras de Robin Hood” de Erich W. Korngold

Ouça o tema principal do filme : preludio

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* 40 anos…

Publicado em 7 Setembro, 2006 por Fábio Flatschart. Arquivado em multimídia, música.


ouça acompanhando o texto abaixo

Space, the final frontier. These are the voyages of the starship Enterprise. Its continuing mission: to explore strange new worlds, to seek out new life and new civilizations, to boldly go where no one has gone before.

Espaço, a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise. Sua missão contínua: explorar estranhos mundos novos, buscar novas vidas e novas civilizações, audaciosamente indo aonde ninguém jamais esteve.

Assim começava uma das mais famosas séries de TV de todos os tempos: Star Trek (Jornada nas Estrelas) que completa agora em setembro 40 anos. O caderno LINK do jornal “O Estado de São Paulo” publicou uma ótima matéria sobre o assunto. Vale a pena conferir..

Um assunto o qual a matéria à que me referi não aborda é a excepcional trilha sonora composta para a série por Alexander Courage, que escreveu e orquestrou temas para muitas séries televisivas: Viagem ao Fundo do Mar, Daniel Boone, Perdidos no Espaço, Os Waltons. Courage também trabalhou com Jerry Goldsmith e James Horner na orquestração e produção das trilhas para os filmes de Jornadas nas Estrelas no cinema.

A trilha do seriado para televisão tem um sabor muito característico da época misturando “sinfonismo” wagneriano com a música popular americana dos anos 60. Sobre um fundo misterioso das cordas, as trompas anunciam uma fanfarra em intervalos de 4ª, que depois é repetida pelos trompetes (Lembra um pouco a fanfarra de introdução de “Assim Falava Zaratustra”, poema sinfônico de Richard Strauss que Stanley Kubrick maravilhosamente utilizou em 2001 - Uma odisséia no espaço) Após esta pequena introdução e sempre acompanhado pela inesquecível narração “Space, the final frontier…” o coro em contraponto com as trompas (novamente) dialogam uma melodia vigorosa que curiosamente é construída sobre uma base rítmica de “beguine”, uma dança de salão parecida com a rumba, que é de origem caribenha.

Dois exemplos famosos de “beguine” são “Begin the beguine” de Cole Porter e “Tonight”, canção do musical West Side Story de Leonard Bernstein. O “granfinale” fica a cargo da melodia do coro, agora retomada pelos trompetes com muitos glissando de harpa e o efeito triunfante dos pratos. Nada como saber trabalhar todos os “clichês” com inteligência.

Não é só o seriado de televisão que completa 40 anos em 2006… 1966, um ótimo ano….

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* Contornos concretos

Publicado em 5 Setembro, 2006 por Fábio Flatschart. Arquivado em multimídia, música.


Contornos concretosA trilha sonora que criei para o vídeo “Contornos Concretos” retrata a cidade de São Paulo a partir de fotos, pinturas e desenhos de vários artistas da década de 80 tais como: Newton Mesquita, Gregório Gruber, Cláudio Tozzi e Rubens Marini. A intenção foi mostrar a poética da cidade através de sua arquitetura, possibilitando uma visualização da mesma de forma alternativa.

A ídéia dos contornos é explorada no desenho da melodia inicial, construída em um série de 12 notas que é apresentada com timbre de orquestra de cordas em andamento moderado e depois em andamento muito rápido com sons de marimba modificados.

ouça :

Veja o vídeo em : http://www.flatschart.com/video

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* trilhos e trilhas II

Publicado em 5 Setembro, 2006 por Fábio Flatschart. Arquivado em criação, multimídia, música.


O universo ferroviário é rico de elementos que podem ser sonorizados: contrastes de velocidade e de ritmos, fade - in e fade – out , repetição, variação e a riqueza timbrística. Também a forma de narrativa poética que pode ser abordada na dualidade dos elementos chegada/partida, encontro/desencontro, perto/longe, origem/destino nos permite associações sonoras infinitas.

Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959) escreveu entre 1930 e 1945 uma série de obras denominadas de “Bachianas Brasileiras”. Nas Bachianas , Villa faz alusão aos ritmos e às cores brasileiras acrescentando junto das indicações de andamentos e estilos clássicos tal como Toccata, Ária, Dança indicações típicas da nossa cultura : Modinha, Embolada, Miudinho, Cantilena. O “Trenzinho do Caipira” uma da suas obras mais conhecidas é a Tocata da Bachiana nº 2, imperdível.

O jazz americano no período dourado das big-bands nos dá alguns exemplos bem interessantes do universo do trem tais como Chattanooga Choo Choo, Pennsylvania 6-5000, e Along The Santa Fe Trail. Se vocês acharem essas obras gravadas com a orquestra de Glenn Miller, melhor ainda. !

No curso de Produção Televisiva da FAENAC aonde leciono um disciplina de nome “Elementos da Linguagem Musical” faço uma proposta aos alunos de elaboração de uma pequena trilha onde estejam presentes os elementos do universo do trem. Fiz uma pequena seqüência sonora como ilustração para a turma na qual busco representar este universo.

ouça :

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